domingo, 27 de novembro de 2011

Amar Foi Minha Ruína

    Havia um roteiro - e ela sempre o seguia, ao pé da letra.  Era sempre a mesma história:  agora era diferente, este era O CARA, dessa vez, a coisa engatava e blábláblá.  E, acreditando piamente em cada uma destas palavras, mergulhava de cabeça.  Perdia a razão, a medida e entregava o coração, de bandeja.  E, por poucos dias, vivia a maior história de amor de todos os tempos.  Um verdadeiro idílio, daqueles para ninguém botar defeito.  Até que ela percebia o óbvio:  havia amor, entrega, dedicação e tudo o que se espera numa história dessas, mas...  De uma só parte.  Da dela.  Era ela quem amava, quem se entregava, quem corria atrás.  O outro só recebia.  E quando estava satisfeito, encerrava a história.  E partia para outra.  E ela continuava, determinada, na sua busca. 

    Decidiu descobrir onde errava, qual era o seu problema, sua doença, o diabo que fosse.  Conversou com amigos, buscou ajuda profissional, cogitou até mesmo procurar apoio espiritual.  O veredicto foi o mesmo:  ela amava.  Demais.


    Sofreu, mas sofreu calada, recolhida.  Tirou o time de campo, entrou em recesso, fechou pra balanço. Queria tão pouco, meu Deus!  Será que era pedir demais alguém que a amasse, que estivesse ao seu lado, para receber tudo aquilo que ela tinha para dar?

    Até que aconteceu.  Num dia qualquer, ele apareceu.  E veio cheio das “intensidades” para cima dela.  Falou que ela era a mulher ideal, que dessa vez sabia que valia a pena e blábláblá.  E, provando por a+b cada uma destas palavras, se jogou, sem medo de se afogar.  Sem cabeça, sem medida, coração servido em bandeja de prata. E ela recuou, assustada, amedrontada.  Mas como assim?  Havia horas que se conheciam!  Ficou confusa, assustada, quis correr.  E a razão, cadê?

    Fugiu para casa,  se trancou no quarto e se escondeu, debaixo das cobertas.  E começou a achar que, durante todo esse tempo, acreditou no diagnóstico errado.  Não, ela não sabia amar.



3 pitacos:

Luís disse...

Gostei disso, porque mostra uma vertente interessante do ser humano: sempre achamos que somos nós - e não os outros - que estamos nos dedicando assombrosamente e isso perturba qualquer entendimento.

Mas, quanto ao enredo, achei que falta uma dinâmica proveninente de um envolvimento maior com a personagem. Não me senti muito próximo dela, porque, com exceção de um ponto - o que ela sente - não há muito mais com que se identificar. Acho que seria bem legal desenvolver mais o enredo, tramá-lo e dramatizá-lo mais, porque, considerando o "excerto" já existente, decerto potencialmente ficará muito interessante.

Fabiana disse...

Tem certeza que essa ai não sou eu?

Caio Coletti disse...

Marcelo!
Fazia tempo que eu não passava aqui, mas ainda bem que eu resolvi passar! HAHA Excelente texto. Reflete bem essa coisa da gente estar sempre em busca do equilíbrio. Nesse caso da sua personagem, aquele entre o "quem arrisca não petisca" e o "gato escaldado tem medo de água fria". rs
Seu texto ainda me fez lembrar de uma coisa que meu professor de química (é, aprender a matéria que é bom eu não aprendo né? rsrs) disse uma vez: que a sina da vida é a gente achar que está vivendo certo, até descobrir que estava vivendo errado. Aí se concertar, e um tempo depois perceber que o nosso concerto não melhorou muita coisa. rs Meio triste.

Abraços, Marcelo!

Postar um comentário

Deixe seu comentário, crítica ou opinião. A família agradece... E volte sempre!!!

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails Bornes relacionados com Miniaturas