sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os Irmãos Karamazov

Da esquerda para a direita, André, Patrícia, Léo (no colo) e eu, só sorrisos, UAHAHAHHA!  (Rita, devendo uma que tenha você)
   

   Bon Jovi diz, numa de suas músicas, que "nenhum homem é uma ilha".  Tá, é mentira.  Não foi o Jon (Bon Jovi) , e sim, o John (Donne), em sua clássica poesia que inspirou Hemingway a escrever "Por Quem Os Sinos Dobram".  Eu acho que não somos ilhas mesmo, mas somos, em nossa essência, solitários.  Nascemos sozinhos. E na hora em que Zé Maria surgir na nossa frente, com aquele sorriso sinistro, duvido que apareça alguém querendo ir conosco.  Triste, né?  Eu acho.  Seria tão mais bacana se pudéssemos nascer ou morrer em dupla, trio talvez.  Já pensou uma turma boa chegando lá do outro lado? Bora combinar, isso tornaria as coisas bem mais fáceis.

   Talvez, seja por isso que nunca me entrou na cabeça essa história de filho único.  Acho tão triste quando alguém diz, decidido, que pretende parar num filho só.  Só quem tem irmãos sabe o  quão chato - e maravilhoso - é tê-los.  

   Aqui em casa, somos cinco. Uma irmã mais velha, do primeiro casamento do meu pai, e três (mais eu, evidente), do casamento com minha mãe.  

   Nunca nos foi falado em casamento.  Falava-se em tudo.  Em estudar, aprender coisas novas, em ser o que te fizesse feliz, mas uma hora, não teve jeito.  Primeiro foi o meu irmão mais velho (minha irmã mais velha já é casada há dezoito anos).  Está casado, há oito, com uma de minhas melhores amigas, dos tempos de escola.  Senti falta, mas não foi nada demais.  A casa continuava cheia.   Aí, foi minha irmã.  Ela que viajou muito, que caía na esbórnia de segunda à sábado, que construiu uma carreira bacana , encontrou a cara metade e subiu ao altar.  Mas aí, tudo foi festa.  Ela aproveitou como poucos.  E a casa continuava cheia.  Até que chegou a vez dele.  Meu irmão caçula.  Ele que, noutro dia, era um moleque.  Que não me deixava ver TV querendo ver aqueles desenhos japoneses, que fazia o portão de casa de gol, que me pedia help quando ficava em prova final...  Ele vai casar e a casa vai ficar vazia.  Tá, vazia não.  Tem eu, né?  Mas...  quem vai dividir o quarto comigo (ah, isso nem é tão ruim, vai)?  Quem vai ficar acordado até tarde, falando sobre filmes e livros?  Quem vai me testar, quando uma música tocar no rádio e perguntar "Quem é que canta?"? Quem vai me irritar com seu jeito extremamente metódico e certinho? Quem é que vai chegar acendendo a luz do quarto sempre que estou assistindo um filme?  Quem vai negociar o preço da mensalidade da tv a cabo?

   De todos os meus irmãos, tenho lembranças do tipo - os filmes que assistimos juntos, as brincadeiras de infância, as surras de mamãe, os sermões do papai, as festas de Ano Novo aqui em casa...  coisas que são nossas, só nossas.

   É por essas e outras que eu acredito piamente que quem tem irmãos é menos só, nessa vida.  Irmão é uma extensão da gente.  É alguém para dividir a nossa alegria.  Alguém com quem dividir nossa dor.  Porque há dores que, por mais amigos que tenhamos, são nossas, só nossas. E de nossos irmãos - pra quem os possui.  Porque “Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra (...)".

   Irmãos, eu amo vocês!

3 pitacos:

Ana Cris Merlim disse...

Adorei! Também acho que irmãos são tudo na nossa vida. Por isso decidi ter o Rafinha e espero que ele e a Mariana sejam amigos assim...pra sempre! Amo meus irmãos!!!

Ana Cris Merlim disse...

Deseje muitas felicidades a seu irmão por mim!!!

Maria Helena disse...

Ei! Irmãos são um privilégio, mais de um então é uma beleza!!! Ter alguém pra reclamar e fofocar do outro... (tenho eté medo se saber o que as minhas falam de mim).
Eu ouvi uma muito boa na tv quando a Gisele casou; num casamento a irmã da noiva é sempre a primeira a surtar!

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