terça-feira, 19 de abril de 2011

Amores (Im)Possíveis

     


     Essa era a vida de Eduardo:  ali, enfiado no quarto, na frente do computador.  Não havia amigos, não havia namoradas, não havia festas nem nada do tipo.  Desde que chegava do trabalho, todas as horas do dia eram passadas ali, conversando com desconhecidos que "topava" em salas de bate-papo.  Era sempre a mesma história:  atirava pra tudo que é lado, distribuía o seu charme e algumas piadas cuidadosamente pensadas a fim de encantar a audiência feminina.  A primeira que fisgasse a isca era levada para o msn.  Com um pouco de sorte e alguma química, a relação se estreitava a tal ponto que, em dado momento, a possibilidade de um encontro real era cogitada.  Tratavam então de marcar hora e local.  Mas no grande dia, Eduardo simplesmente não aparecia.  Fora assim, bem, uma dúzia de vezes.  Em todas elas, recuou.  O medo falava mais alto.  O medo de o acharem feio, sem graça, do papo não funcionar na hora H.  E em todas as vezes, as moças ficaram esperando, sem entender nada do que estava acontecendo, enquanto ele, mais uma vez, retornava pra sua vidinha de mentira.

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     Júlia estava cansada.  Nunca tivera sorte com os homens, essa era a verdade!  Talvez  Edna, sua melhor amiga, estivesse mesmo com a razão.  Mulheres não foram feitas para os homens.  Mulher devia ficar com mulher e ponto.  Quem mais entenderia o espírito e o coração femininos a não ser outra fêmea?  Estava cansada, destruída, derrotada.  Sete anos da vida jogados fora, no lixo, como se fossem sete dias, sete horas talvez.  Estavam noivos, falavam até em casamento, e, assim, de uma hora para a outra, ele chegava  com um papo de que algo havia mudado e que, talvez, fosse melhor dar um tempo, para que ambos repensassem o que queriam da relação.

     Mandou-o à merda.  Ela sabia muito bem o que queria de uma relação e ele não estava mais incluído nos seus planos.

     Era sábado à noite.  Um sábado triste e chuvoso.  Bolada ainda com tudo o que acontecera, sentou-se diante do pc e entrou num chat, para se distrair.  Estava lá quietinha, desambientada, sem ter nada para comentar com ninguém quando ele apareceu, todo simpático:

     - Ei, bora conversar?

    Teve medo, por  uns instantes.  Depois, pensou bem e viu que não havia nada de mal naquilo.  Precisava mesmo se distrair.  Mandou um emoticon simpático e lhe passou o msn.


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     Tereza olhou em volta, certificando-se que estava sozinha.  Pegou o notebook, colocou-o sobre a cama e, deitada de bruços, se conectou à internet.  Abriu o chat e procurou qual sala gostaria de entrar.  Não demorou muito e fez a escolha:  Sexo virtual.

     Sim, sexo virtual que, ocasionalmente, virava sexo real.  Adorava aquele jogo.  Excitava-se em entrar numa dessas salas, arrumar alguém para teclar, trocar msns e, depois, se exibir, na cam, para eles.  A brincadeira, no entanto, não terminava por aí: após algumas conversas, se achasse que o interlocutor fosse merecedor - e se o tesão falasse mais alto, evidente - combinavam um encontro fortuito, bem no meio da semana, geralmente às tardes, horário em que Paulo, o marido, estivesse no escritório trabalhando, crente que a mulher o esperava em casa, ansiosa e saudosa.  Pobre Paulo!  Enquanto isso, Tereza encontrava-se com os "contatos" em algum motelzinho barato, do centro da cidade.  Se bem que, algumas vezes, sucumbiu à tentação e realizou um dos seus maiores desejos:  transou na cama em que dormia com o próprio marido.


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     Diego estava cansado daquele jogo.  Por que era tão difícil encontrar um cara bacana?  Era podre pensar isso, mas às vezes, compartilhava com a ideia daqueles que dizem que gays não se prendem à uma relação.   Pelo menos, ele, nunca tivera essa sorte.  Em todos os namoros, era sempre o fiel da história.  Tudo ia bem, até o momento em que era trocado por outro:  algumas vezes, descaradamente.  Um antigo namorado chegou a sugerir-lhe à introduzir uma terceira pessoa na história.  Não concordou e, embora fosse completamente apaixonado pelo Renan, terminou com tudo, na hora.  Putaquipariu, era pedir demais uma relação saudável, madura e monogâmica?

     Jogou a mochila sobre a cama, sentou-se, tirou os tênis, a meia e olhou para o desktop, à sua frente.  Balançou a cabeça negativamente, coçou-a e jogou-se sobre os lençóis.  Não, não caía nessa novamente.  O que mais poderiam querer numa chat do que exatamente aquilo que não buscava?  Ia andar pra trás, remar contra a maré justamente agora?  Mas se... se hoje fosse seu dia?  E se o cara legal estivesse lá, à sua espera?

    Levantou-se depressa.  Olhou mais uma vez para a máquina.  Decidiu entrar numa sala, mas não numa sala gay.  Olhou as opções e escolheu:  Papo Cabeça.  O local ideal pra quem procurava mais conteúdo do que imagem.

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     Paulo não entendia o que havia acontecido com o seu casamento.  De uns tempos pra cá, Tereza pouco lembrava a mulher amorosa do início do relação.  Era como se algo estivesse rompido entre os dois.  Não sabia especificar exatamente o quê, mas era fato que o tudo não era mais como anos atrás.  Não da parte dele, tinha certeza.  Ainda era loucamente apaixonado pela mulher.  Ela, no entanto, mostrava-se cada vez mais distante e fria.  Sexualmente então, nem se falava.  Às vezes, sentia, claramente, que ela o repelia.  Tentou conversar sobre, algumas vezes, mas ela era resistente.  Pôs a culpa nos problemas, nas preocupações que a família lhe trazia, na chegada da entrega da monografia do Mestrado...  Ele não engoliu, não mesmo.  Só sabia que ainda amava aquela mulher, tanto quanto no primeiro dia em que estiveram juntos.  Mas não tinha certeza se havia uma recíproca.  Aliás, tinha quase certeza que não havia mais recíproca alguma.

    Fim de expediente, os últimos colegas saíram do escritório e ele ficou, com a desculpa de revisar alguns contratos.  Esperou que todos fossem e, como não havia mais nada para fazer, ligou o computador, pensando em desanuviar as ideias. Quando percebeu, estava numa dessas salas de bate-papo, de nome bem sugestivo - Papo Cabeça -, catando alguém para jogar conversa fora - e nada mais que isso.  Foi quando percebeu um carinha citando um trecho de uma das suas músicas preferidas - "Hello, is there anybody in there?  Just nod if you can hear me, is there anyone at home?" -, não resistiu e resolveu cutucar:

    - Pink Floyd?!  Só ponte ser gente boa...  :)
   
     Aquele foi só o início de uma conversa animada.  Já estavam nessa há mais de vinte minutos, quando percebeu que solitário_noturno era muito impessoal prum cara que parecia tão bacana, e resolveu perguntar qual era o nome de verdade.

    -  Diego - o carinha respondeu, animado - E você é o...?

     - Paulo - a resposta veio no mesmo tom.

     Aquela noite, Tereza não precisava preocupar-se com o marido.  Se quisesse aprontar das suas, podia fazê-lo despreocupadamente, porque Paulo esqueceu completamente da hora.

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     O tempo passava e, cada vez mais, Júlia tinha certeza que Eduardo não era um cara qualquer.  Tá, tinha medo, admitia.  Mas tudo aquilo era tão maravilhoso e, ao mesmo tempo, tão inusitado, que confessava que sentia-se entusiasmada com a simples ideia de um dia poder encontrá-lo.  Vinha pensando seriamente nisso, nas últimas semanas.  Edna tentou advertí-la e lembrou-a, mais uma vez, da sua tese.  Júlia, obviamente, nem deu ouvidos.  Até que, um belo dia, os anjos lhe ouviram as preces e o Eduardo veio com a ideia:
     
     - O que você acha da gente sair uma hora dessas, bater um papo e tomar uns chopes?

     Do outro lado do monitor, os olhos dela brilharam.  Não pensou duas vezes.  Já estava lá.

..................................

     Não podia ter acontecido de forma pior.  Estourando de dor de cabeça, resolveu voltar mais cedo para casa.  Chegou na portaria, cumprimentou o porteiro que lançou-lhe um olhar estranho, mistura de surpresa e pena, mas na hora, não entendeu.  Subiu direto para o apartamento, embora encontrasse um vizinho de porta que insistia em puxar o assunto sobre o jogo do Fluminense daquele final de semana.  Dispensou-o rapidamente, com meia dúzia de palavras e seguiu o seu caminho.  Foi só colocar a chave na porta para começar a ouvir.  Sim, eram gemidos.  Gemidos intensos, vindos do quarto.  Na ponta dos pés, seguiu a direção deles.    Do corredor, através da porta entreaberta, avistou a mulher, debaixo do  corpo nu de outro homem; os gemidos agora mais pertos e intensos.  Deixou a pasta cair no chão e foi notado.  Tereza ficou pálida.  Não esperou explicações.  Correu até o cozinha, abriu a torneira da pia e, ali mesmo, lavou o rosto como se quisesse despertar de um sonho ruim.  A mulher então, surgiu, enrolada num lençol.  Tentou abraçá-lo, mas foi imediatamente repelida.  Veio com um papo brabo, dizendo que o amava e que fizera tudo aquilo porque não tinha o que buscava dentro de casa.  O estômago embrulhou.  Olhou-a com desprezo e se trancou no escritório.  Podia quebrar tudo ou voltar para a cozinha e meter-lhe a porrada.  Paulo, porém, sentou-se na escrivaninha e ligou o computador.  Rezou desesperadamente para que o Diego estivesse ali, à sua espera.  Se Deus existe, certamente lhe ouviu as preces, porque lá estava o moço, como que adivinhando tudo o que estava acontecendo.

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     Era um grande advogado e, se quisesse, a deixaria com uma mão na frente e outra atrás.  Fora bastante generoso, no entanto.  Deixou-lhe o apartamento que moravam, no Recreio e algumas outras benesses.  O que não queria mais era vê-la pela frente. Estava disposto a recomeçar, tentar uma vida nova - o que não vinha sendo nada fácil, diga-se de passagem.  E, nesse processo, Diego vinha exercendo papel de destaque.  As conversas, antes esporádicas, agora eram cada vez mais frequentes.  As afinidades só aumentavam, e o que havia começado como um bate-papo despretensioso ganhou uma dimensão inesperada.  Principalmente depois que o Diego veio com o assunto, dizendo estar confuso e envolvido.  Sim, envolvido.  Não sabia como nem porquê.  Aliás, sabia sim.  Era difícil não se deixar envolver por alguém tão maravilhoso feito ele (Paulo).

     O pobre, claro, ficou sem ação.  Não, nunca fora preconceituoso, mas confessava que jamais esperaria ouvir aquilo de outro homem.  Sabia que o Diego era gay; o próprio confessou-lhe depois de algumas conversas.  Contudo, aquela declaração perturbou-lhe.  E não sabia exatamente de que forma, tanto que aquela noite, não conseguiu dormir.  E na outra e na outra, também não.  Depois de algum tempo, ria da história.  Mas achou melhor ser prudente e não alimentar falsas esperanças ao pobre.  "Botão esquerdo sobre o nome do contato/Bloquear" foi a saída escolhida.


...................................


     Marcaram às sete no shopping.  Escolha de Júlia.  Sempre ouvia, desses especialistas em segurança, que era mais prudente fazê-lo em locais públicos.  Também avisou a Edna, para o caso de não aparecer, depois de algum tempo.  Tomou um belo dum banho, perfumou-se com generosidade, caprichou na escolha do vestido, maquiou-se, tirou a maquiagem, maquiou-se novamente e, achando que tinha a pior cara do mundo, rumou, entre animada e amedrontada, para o grande encontro.

     Olhava para o relógio de cinco em cinco minutos, como se isso fosse fazer ele aparecer.  Duas, duas horas de atraso e nada do Eduardo!  Estava começando a ficar nervosa.   Deus, por que ele fizera isso?!  Todos aqueles papos, todos os galanteios e promessas trocadas...  Ele parecia tão bacana, tão decente,  e agora, lá estava ela, sentindo -se uma trouxa, enganada por um cara que jamais vira mais gordo.  Isso é o que dava acreditar nesse povo de Internet.  Fora advertida, mas, pra variar, sequer deu crédito.
   
     Desapontada, olhou o relógio, uma última vez.  É, ia embora.  Era o melhor que podia fazer.  Pediu ao rapazinho do balcão que lhe fechasse a conta.  O rapaz veio, fez as contas e estendeu-lhe a nota.  Antes, porém, lançou um olhar sobre o livro que ele trouxera consigo e que, agora, respousava sobre o balcão.  

     - Clarice, é?

     - É - Júlia respondeu, entredentes - Por quêGosta?

     - Claro. E há alguém que não goste de Clarice Lispector?

     Não respondeu nada.  Apenas pegou o cartão de crédito e entregou ao rapaz.  Ele já ia indo passar o cartão quando parou, e, por um minuto, ficou perdido nos pensamentos.

     - Ei, tava aqui pensando - falou, sorriso tímido no rosto - Eu saio daqui à meia hora e... que tal se  você me esperasse, pra gente trocar umas ideias sobre livros...?  Você parece gostar muito de Literatura, né? Tô enganado?

     Júlia não acreditava no que ouvia.  Apenas falou:

     - Você bebeu?

     O rapaz não respondeu nada.  Deu um sorriso sem graça, saiu e voltou dois minutos depois com o cartão.

     De longe, Eduardo observava tudo, se odiando por, mais uma vez, ter deixado o medo paralisá-lo.

...............................

     A casa era um charme.  Tiveram realmente muita sorte em encontrá-la.  O corretor avisou que uma casa de vila, daquele tamanho, na Zona Sul do Rio de Janeiro, era um achado.  E era exatamente isso que queriam.  Diego comentou que, quando criança, morou num lugar muito parecido e que sua mãe, quando estivesse ali, certamente se lembraria.  Paulo sorriu, satisfeito, e falou que era bom que ele tivesse gostado, porque era ali que viveriam o resto da vida.  Diego sorriu, balançou a cabeça, pegou na mão dele discretamente e seguiram em direção ao novo lar.

.............................       

     O expediente finalmente tinha terminado.  O rapaz da lanchonete despediu-se dos amigos e já seguia para o ponto do ônibus quando reconheceu, do outro lado da calçada, a moça, sorrindo, com o livro de Clarice na mão.  Sorriu também e se aproximou.  Não acreditava no que via, mas era ela.  Ali.

     - E aí?  Aquele convite ainda tá de pé?

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     Se odiava.  Sério:  se odiava mais que tudo nesse mundo.  "Covarde, filho-da-puta, seu grande merda" - xingou a si mesmo, revoltado.  Mais uma vez não tivera coragem suficiente e preferiu dar meia volta.  Agora, novamente em casa, tinha a nítida sensação de estar vendo um filme reprisado. Ligou o computador, se conectou, escolheu a sala e repetiu, quase que mecanicamente, o velho e bom script de sempre:

     - E aí, gata?  Bora conversar?

    
   
  

10 pitacos:

Caio Coletti disse...

Que demais seu texto, Marcelo! Há tempos que não lia algo tão legal na Internet. Primeiro porque é um texto atualíssimo, é claro. E a escolha dos personagens, a forma como eles se comportam, além de serem um reflexo bem exato do que a gente vê hoje nesse mundo dividido entre o virtual e o real, é também uma galeria fácil de se identificar e muito bem construída.

Bacana as histórias paralelas, o jeito que você organizou elas. Muito legal mesmo! Eu adorei!

Abraço, Mercelo! Apareça mais aqui, sempre muito bom ler coisas novas no seu blog.

Danilo Moreira disse...

Fala Marcelo, saudades de passar por aqui!!

Cara que post enoooorme, mas muito bacana de se ler.

Resumidamente, o post mostra como as pessoas procuram o bate-papo como um superador de defeitos, mas no fundo elas concluem que nada adianta recorrer a ele, se os defeitos estão dentro delas mesmas.

Parabéns pelo post!

Abçs!!

Danilo Moreira
http://blogpontotres.blogspot.com/
Minha primeira reportagem: Esses anos 80...

Andrë Tosatti disse...

CARA!!!! Laços fraternais á parte, tu é gênio demais!!!
Texto excelente, confesso que idealizei um curta aqui e me vi em vários personagens!
Tens um fã *_*

amor.com disse...

Marcelo, esse texto está demais!!! Adorei!
Quanta criatividade... Eu também pensei num curta quando percebi as histórias paralelas. Muito bem bolado. Parabéns!
Beijinhos

Levi Ventura disse...

É o amor em tempos de internet.
E tu tio descreveu direitinho, como quem tem grande experiência em bate papos do tipo(não podia perder a oportunidade), as diferentes situações que podem cercar essas histórias desses encontros de internet.

Levi Ventura

www.Quien-sabe.es disse...

It’s a great blog… :)
www.quien-sabe.es/outdoor

www.Quien-sabe.es disse...

It’s a great blog… :)
www.quien-sabe.es/index2

LuEs disse...

Primeiro, gostaria de dizer que gostei do seu texto por causa do modo como você tirou do senso comum personagens que são arquétipos e que, por isso mesmo, se tornam um exemplo clássico de lugar-comum.

O rapaz viciado em internet, o homem traído, a mulher inconformada com a sua situação nos relacionamentos, o jovem rejeitado - todos eles contituem características básicas de personagens sem grande fundo psicológico e/ou emocional.

Você realmente conseguiu desestereotipar e criar personas diferentes daquelas que esperávamos. Gostei muito de como você relacionou diretamente todos os personagens e também como correlacionou todos, usando a internet; fugindo do campo literário, pode-se afirmar que é exatamente isso que a internet faz: engloba todo mundo, mesmo que estejam geograficamente em áreas opostas do planeta.

Parabéns, man.

Duchamp disse...

Oi, Marcelo!

É, para mim, muito fácil me identificar com os personagens desses seus textículos. Bem sei quantas vezes já deparei com toda a solidão e carência refletida nessas salas de bate-papo, bem sei também a vergonha de admitir todos esses sentimentos, por mais claro que estejam presentes nas conversas virtuais.

Com o tempo, vim percebendo tudo isso e, agora, penso que a internet mais separa que une as pessoas. Prende a todos num universo totalmente paralelo.

Mas enfim, algumas vezes, até raras, achamos boas pessoas nessas tristes salas de bate-papo e ficamos o dia inteiro esperando aquela palavra, aquela combinação de qualidades, aquela conversa que nos faz sorrir, mesmo que pelos reflexos da tela.

Seu texto conseguiu passar tudo isso e com ótima progressão temática. Gostei bastante. Falando em progressão, é fácil identificar a mudança de tudo que já foi escrito aqui, ainda mais para quem acessou este espaço há dois anos atrás. A literatura, assim como as telas de computador, sempre acabam por nos refletir.

Abraços

Sr. Desbocada disse...

Do caralho!
Amei a forma como escreveu, li duas vezes!
Gênio... Só isso que posso dizer...

Beijos!!!

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