domingo, 22 de novembro de 2009

A Metade Da Laranja


"L'amour, toujours l'amour..."

Quem nunca passou pela sensação de ter encontrado sua alma gêmea, a tampa da sua panela, o número do seu sapato e, no fim das contas, descobrir que você não é a metade da laranja do outro? Quem nunca ficou chupando dedo, depois de ter levado o fora daquela que era a mulher ou o homem da sua vida?! Você, eu e o mundo inteiro. Por isso, talvez, eu tenha saído da sala de cinema, na última sexta, com a sensação de já ter visto aquela história em algum lugar.

Tá, eu havia prometido não escrever mais sobre filmes aqui no "Diz". Há excelentes blogs sobre o assunto por aí. Quem quiser conferir, é só dar um pulo no Cinecabeça, no Literatura e Cinema, Claquete, Cinemiótica, O Anagrama ou no Conexão TV/Cinema (que eu não sei porque continua parado). Mas,
(500) Dias Com Ela, primeiro longa do diretor de videoclipes Marc Webb, me deixou com a cabeça quente, pensando num monte de coisa...

Pra quem espera um filmão, vou logo avisando: "
(500) Dias..." é um filminho. Não filminho num sentido pejorativo, muito pelo contário. Ele é simples, charmoso, delicioso. Fofo, enfim. E essa é a graça. A gente senta a bunda diante da telona e quem vê ali, durante todo o tempo, é a gente mesmo, em algum instante da vida. Ok, deixa eu explicar: o filme conta a história de Tom Hanson (Joseph Gordon-Levitt de 3rd Rock from the Sun), um garoto que cresceu assistindo comédia romântica e ouvindo música pop. Um dia, uma nova garota chega no escritório. Summer Finn (a mega-hiper-ultra adorável Zooey Deschanel de Quase Famosos) é linda, esperta, adora cinema e, ainda por cima, é louca pelos The Smiths. Bingo! Tom cai de quatro por ela. Acontece que ele quer e ela não. E o que a gente assiste, são os 500 dias dessa relação de idas e vindas, sem direito à final feliz (dependendo do ponto de vista) - epa, falei! Tudo isso, com direito à uma trilha sonora que é um espetáculo à parte, que inclui ótimos nomes como Regina Specktor, Doves, Feist, Mumm-Ra e os onipresentes The Smiths.

Praqueles que curtem cinema, Webb lança mão de ótimas sacadas narrativas, como as referências aos filmes "Noivo Nervoso, Noiva Neurótica" de Woody Allen e "O Sétimo Selo" de Bergman. Outro destaque, é a cena digna de musical, quando depois da primeira noite de amor com Summer, Tom sai por aí, dançando no meio da rua, com direito até a passarinho azul de desenho animado, pousando na mão.

Pois é. Quem nunca se sentiu assim? Eu já - e aposto que você também...





Summer: We've been like Sid and Nancy for months now.

Tom: We have some disagreements but I hardly think I’m Sid Vicious.

Summer: No I’m Sid.

Tom: Oh, so I'm Nancy?!

sábado, 14 de novembro de 2009

Pais E Filhos

Para quem quiser conferir melhor a bela capa, basta clicar em cima.


O cinema nunca foi totalmente mudo. O que não existiam eram as falas, os "diálogos". Os sons sempre estiveram presentes, permeando a ação. A evolução natural disso, foram as trilhas. Algumas entraram para a história do cinema. Não dá pra pensar, por exemplo, em "... E O Vento Levou", sem o tema composto por Max Steiner vir à cabeça. Ou não lembrar de "Bonequinha de Luxo", sem assobiar a melodia chiclete de "Moon River". E como disassociar Julie Andrews de "The Sound Of Music"?! Impossível.

Isso me ocorreu quando, dia desses, revi "C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor". Pra quem não conhece, trata-se de uma produção canadense de 2005, que, embora não tenha feito muito sucesso nos cinemas, fez enorme barulho na cena independente mundial. Conta a história do casal Beaulieu e seus cinco filhos, tão diferentes quanto os dedos das mãos: há o nerd, o esportista, o comilão, o drogado e o gay. A história é narrada por esse último, Zac, que luta para negar sua homossexualidade e não decepcionar o pai, extremamente machista. Porém, pra quem espera um filme focado na sexualidade do personagem, fica o aviso: o que se vê na tela, por mais de duas horas, é uma grande história de amor. O amor de um filho que é louco pelo pai. E o amor de um pai que não compreende as escolhas do filho.

Mas, o que o filme tem a ver com música?! Tudo. A começar pelo título. O C.R.A.Z.Y., antes de mais nada, é um anagrama das iniciais dos nomes dos cinco meninos Beaulieu (Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvan) e também uma homenagem à canção "Crazy", da cantora country Patsy Cline, mais recentemente regravada por Julio Iglesias - a música preferida de Gervais, o pai dos garotos. Além disso, a trilha sonora é um luxo só. Reza a lenda que Jean Marc-Vallé, o diretor, gastou quase todo o orçamento do filme na compra dos direitos das canções! O resultado disso é uma trilha que arrepia qualquer fã de boa música.

Pra quem quer conferir, dois momentos antológicos:


Zac canta "Space Oddity" à la Ziggy Stardust






Simpatia pelo capeta em plena igreja...

Resumindo: cinemão da melhor qualidade, com uma história apaixonante e uma senhora trilha sonora. Programaço pra toda a família. Principalmente para pais e filhos.


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Eu sei que esse não é um blog sobre cinema, mas não há como tocar no tema, sem lembrar do emocionante "Gente Como A Gente", primeira incursão do ator Robert Redford na direção. Se em C.R.A.Z.Y. temos a história de amor entre um pai e um filho, nesse encontramos justamente o contrário: a falta de amor de uma mãe para com o filho.

A história gira em torno de uma rica família de Chicago, que tenta se recompor após a morte, por afogamento, do filho mais velho. Conrad, o caçula, se culpa pela morte do irmão, tentando, inclusive, o suicídio. No meio desse turbilhão, a mãe, interpretada com perfeição por Mary Tyler Moore, só pensa em manter a aparência de família perfeita e feliz. O único com os pés no chão é o pai, que tenta, a todo custo, mantê-los unidos.

Muita gente acha que a estatueta de melhor direção abocanhada pelo estreante Redford, deveria ter ido parar na estante de Martin Scorsese, que concorria por "Touro Indomável". Discussões oscarísticas à parte, vale a pena alugar esse que, pra mim, é um dos melhores filmes sobre relações familiares. Destaque para as atuações magistrais de Mary Tyler Moore (que perdeu o páreo para Sissy Spacek), Donald Sutherland e para Timothy Hutton, que levou o Oscar de coadjuvante, com apenas 20 aninhos, tornando-se o mais jovem ator a papar uma estatueta, nessa categoria.




Filmaço.

sábado, 7 de novembro de 2009

Daiane - A "Mulher" Inesquecível


O post abaixo nada mais é que continuação do "Mermão", pubicado algum tempo atrás. Para melhor entendê-lo, recomendo que antes, dê uma passada na já citada postagem. Mas, se quiser começar daqui, sem problema!

Daiane não teve como segurar o riso. Ueniston parecia um menino assustado. Deu um pulo pra trás e afastou-se dela o quanto pôde. Nunca, em toda sua vida, pensou que pudesse pôr medo num "homão" como aquele. Se sentia o próprio bicho-papão. E olha que "papar" não era exatamente lá, a sua preferência.

- Nossa, mas pra quê tudo isso?! - ela quis saber, tentando se aproximar.

Ueniston deu outro pinote.

- Sai de perto, porra! Sai de perto porque tenho alergia a macho!

- E cadê o macho aqui?! - a "moça" perguntou, olhando em volta - Tirando você, evidente...

- Tá pensando que eu sou otário, é? Pois vai catar outro, minha filha, porque o otário aqui não curte traveco não!

- Credo! Tá estressadinho mesmo, hein? - e tentou nova aproximação.

Ueniston encrespou:

- Ó, só, tô falando sério! Dá mais um passo e eu te encho de porrada!

Daiane também rodou a baiana:

- Ih, subiu nas tamancas, foi?! Desce do palco, paquita! Quem ouve assim, até acredita! Até parece que tu não tava gostando da nossa brincadeira...

- Eu não tô dizendo?! - Ueniston gritou, o braço já preparado pra descer a ripa - Tu é pior do que eu imaginava... Tu é profissional! Se aproveitou de mim, isso sim!

- Ah, essa é boa! Tadinho dele, meu Deus! Um garotinho indefeso!

Ueniston perdeu o controle. Derrubou um abajur, chutou-o contra a parede. Depois, começou a esmurrar a parede e começou a chorar, feito bezerro desmamado:

- Merda, merda, mil vezes merda! É isso que a minha vida é! Uma grande duma merda!

Daiane ficou com pena. Nem um minuto fazia, lá estava ele, pronto a lhe dar um cacete. Agora, sentado no chão da suíte, chorava um choro sentido. Descontrolado. Um choro que parecia preso há muito tempo.

Ela se aproximou, sem jeito. Tentou tocá-lo, mas desistiu. Ueniston não parava. Tinha de fazer alguma coisa.

- Calma... - ela falou, tentando pensar em algo - Olha só, que tal uma dose? Vai te fazer bem...

Ueniston fez apenas que sim. Ela correu até o bar, preparou um cáuboi e depois voltou, lhe estendo o copo. Ueniston aceitou. Pegou o copo, olhou pra dentro do rosto dela -ou dele. Levantou o copo, como se fizesse um brinde, e depois sorriu. Mais amarelo, impossível.




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- É o que eu tô dizendo... A vida é mesmo uma novela! Um dia a gente tá por cima, mas no outro, meu bem, a gente pode estar por baixo! Mas quer saber? Pra mim, essa é a graça do negócio! - Daiane soltava a sua filosofia de revista de dois reais, enquanto aplicava seus conhecimentos de massoterapia, adquiridos num cursinho do SENAC, que fizera, quando tinha dezoito anos.

Ueniston não dizia nada. De olhos fechados, apenas escutava e procurava relaxar. É, a vida parecia mesmo uma novela. Ou um filme de terror. Vide ele lá, à uma hora daquelas, recebendo massagem de um traveco!

Foi quando aconteceu. Batidas na porta. Os dois arregalaram os olhos.

- Quem é? - Daiane perguntou, espantada.

- Polícia! - uma voz grossa respondeu, do outro lado - Abra essa porta agora!

Ueniston deu um salto e se afastou o quanto pôde de Daiana. Sem escolha, ela foi até a porta e abriu.

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- É, mano velho, essa você vai ter que me agradecer pelo resto da vida! - Edinho falou, tirando sarro da cara do amigo.

- Verdade. Tô te devendo mesmo. Nem sei como retribuir - Ueniston respondeu, voz amuada.

- Que isso... Uma caixa de cerva e tudo fica certo! Melhor! Um doze anos e não se fala mais no assunto!

Ueniston deu uma risada e depois quis saber:

- Como você descobriu tudo?

- Eu fiquei preocupado contigo e resolvi ir atrás de você. Vi quando parou no Lido e falou com as meninas. Ia seguir dali, mas cheirei algo estranho no ar. Dava pra ver que aquilo ali era traveco, e traveco dos brabos, meu velho! Desconfiei na hora que tavam armando pra cima de você...

- Como eu fui cair nessa, meu Deus?! Nem gogó ela tinha...

- É, mas pelo visto, o resto tava todo lá, né?

Ueniston soltou um "vai à merda", levantou-se e foi até à janela do apartamento. Lá fora, o mar da Barra batia devagar. Não demorava muito e o dia começava a nascer.

E Daiane? O que seria dela agora?

Pra "putaquetepariu", a Daiane! Cerrou a cortina, foi até o bar, pegou uma garrafa, um copo e jogou-se no sofá. Ia começar de onde parou. Ia beber até cair. Ou melhor: beber até esquecer.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Em Boca Fechada...


Maitê Proença: "Português é tão esquisito..."

"Em boca fechada não entra mosca."

Há um tempo atrás, o grande Jaime Guimarães escreveu no seu não menos grande blog Grooeland, um post que falava sobre a mania do politicamente correto. Tratava-se da resposta a um e-mail de um amigo que, indignado com a propaganda negativa que o filme Os Normais 2 fazia do povo baiano, sugeria um boicote em massa à fita. Jaimão, oportuno como sempre, não perdeu a chance pra soltar o verbo. O que fez muito bem, pra variar. Ficou curioso? Confira aqui.

Não sou a pessoa mais indicada pra falar do que é certo ou errado nesse sentido. Sou conhecido por ter um humor que, não muito raro, é pouco compreendido. O problema é que brinco até quando a coisa tá "preta". Digo, "suja". Quer dizer, "feia"". Xi... melhor deixar pra lá!

Mas não estou aqui pra falar de mim, mas sim de dois episódios que aconteceram na última semana e que me deixaram cá com uma pulguinha atrás da orelha, pensando no velho adágio popular que abre esta postagem.

Tudo começou quando a Maitê Proença (a Dona Beja, lembra?) resolveu tirar um sarro com a cara dos portugueses, durante um vídeo feito numa viagem à terrinha, exibido no programa Saia Justa em 2007. Seguem abaixo algumas pérolas da atriz:



"Tive problemas com a internet do hotel e pedi um técnico para arrumar. Mandaram um técnico que não sabia nada de informática. Ele olhava pro meu mouse como se fosse uma capivara."

"Depois a gente fala de português, que eles são esquisitos. Mas é assim mesmo."

No final do vídeo, pra completar, dona Maitê cospe. Numa fonte!

Segundo ela, tudo não passou de uma brincadeira: "Brasileiro é muito brincalhão", argumentou. "A gente brinca com aquilo pelo qual a gente tem afeto."

Evidente que os portugas não gostaram da brincadeira carinhosa. E exigiram que a atriz se retratasse publicamente. O quiprocó chegou a tal ponto que até Hitler entrou na roda!



O segundo fato foi uma reportagem publicada no Daily Mail acerca da morte de um dos vocalistas do grupo Boyzone, Stephen Gately. Pra quem não ligou o nome à pessoa, o rapaz foi o primeiro membro de uma Boy Band a sair do armário, depois de ver sua história ameaçada de vir à público através de um ex-segurança da banda. "Sou gay e estou apaixonado", ele revelou ao The Sun, exatos dez anos atrás.



Stephen Gately: "No matter what they call us..."

Pois bem... Jan Moir, colunista do Daily Mail, escreve então um artigo que afirma que Gately não morreu de causas naturais mas sim de... ser gay!

Armou-se então o circo. O ator britânico Stephen Fry e o ilusionista Derren Brown "tuitaram" pedindo aos seus seguidores que reclamassem da reportagem. Uma página no Facebook foi criada para pedir que internautas exigissem a retirada de anúncios de marcas famosas do site. Marks&Spencer foi a primeira, seguida pela Nestlé e logo depois pela Procter&Gamble.

Ferreira Fernandes, colunista do jornal português Diário de Notícias, escreveu sobre o ocorrido, citando uma antiga reportagem que relatava a morte de Joaquim Agostinho, ciclista lusitano, sob o título de "Morreu de ser Português". Pra quem não conhece a história, o cara caiu durante uma prova e bateu com a cabeça que estava sem capacete. Em vez de o levarem para um hospital, o levaram para uma pensão, para descansar. Enfim: "Morreu de ser Português"... Vale a pena conferir!

Bom, por hoje chega. Sei que errei na mão, mas tudo isso me serviu para tirar algumas conclusões:

1º) Em Portugal, o pessoal parece levar muito a sério o que a Maitê Proença fala;

2º) Em tempos de Twitter e Facebook é bom se tomar muito cuidado com o que se fala ou se escreve por aí;

3º) Há uma linha muito tênue entre brincadeira e ofensa.

Em todo caso, fica o velho conselho de minha sábia mãezinha, que começou e também termina este post: "Em boca fechada..."


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Sei que ninguém merece ler mais nada por aqui, mas o quê foi aquilo que aconteceu com o coordenador do Afroreggae, morto durante assalto no Rio e "depenado" por policiais militares?!

Assim fica difícil saber quem é mocinho e quem é bandido...


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E pra quem vem achando minhas postagens muito pesadas, fica frio: em breve, novo capítulo das desventuras de Ueniston e Daiana. E isso não é um aviso. É uma ameaça!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Comandos Em Ação


Terror. Foi um dia assim que o Rio viveu durante o último sábado. Cenas dignas de um filme de guerra, com direito a helicóptero da polícia sendo abatido no ar, oito ônibus incendiados na Zona Norte da cidade e uma população desesperada e revoltada. Isso tudo apenas duas semanas depois da cidade ser escolhida como sede das Olimpíadas de 2016.

O dia de cão começou com uma imensa troca de tiros, durante a madrugada, no Morro dos Macacos. O helicóptero Fênix, modelo Esquilo AS 350 B2, do Grupamento Aéreo Marítimo da Polícia Militar, levantou voo com a missão de socorrer policiais feridos durante o confronto. Não cumpriu sua missão. Atacado por traficantes, foi forçado a pousar na Vila Olímpica do Sampaio. Seria essa uma nova modalidade olímpica? Abatimento de aeronaves?!

No dia seguinte, minha amiga Maria me ligou, transtornada com a história, dizendo não acreditar ainda no que via na TV. Helicóptero sendo derrubado por bandido?! Parecia coisa dos "Comandos Em Ação"!

Pois é, Maria. "Comandos em Ação" da vida real. Com direito a Comandante Cobra e G.I. Joe...

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Quando é pra criticar, a gente critica. Quando é pra aplaudir, a gente aplaude. Portanto, a nossa homenagem ao capitão Marcelo Vaz de Souza e a toda a sua equipe que, num ato heróico, evitou que a aeronave atingisse casas do Morro dos Macacos. E a todos aqueles que tiveram suas vidas ceifadas durante esse episódio, também nosso reconhecimento e respeito.

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Ainda conversando com minha amiga Maria, no sábado, surgiu a pergunta: "Uma pessoa pode morrer duas vezes?"

Também na sexta-feira, um incêndio destruiu parte do acervo do artista plástico Hélio Oiticica, no Jardim Botânico. As obras estavam no ateliê localizado na casa de César Oiticica, irmão do falecido artista. Ninguém ficou ferido e as causas do incêndio ainda serão apuradas.

- Foi a maior tragédia que poderia acontecer para a cultura brasileira - declarou César, que descartou a hipótese de incêndio criminoso, já que no local havia um rigoroso controle de temperatura e umidade, além de alarmes de presença e anti-incêndio.

Pois, é, Maria [2]. Respondendo a sua pergunta, pode sim. Hélio Oiticica morreu duas vezes.

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Sassaricando pela net, dei de cara com a notícia de que Stephen Gately, do grupo irlandês Boyzone, falecido no último dia 10, morreu de causas naturais. Segundo a autópsia, o falecimento se deu por conta de um edema pulmonar, acúmulo de fluídos no pulmão.

Boy band nunca foi minha praia, mas lembro do grupo por conta de Father and Son, do Cat Stevens, uma de minhas músicas prediletas, que eles regravaram há um bom tempo atrás.

Pra falar a verdade, o que mais me encucou nessa história, é um sujeito de apenas 33 anos morrer de causas naturais. Ô, jeitinho estúpido de morrer! Tá bom... estúpido é morrer de bala perdida, overdose ou atropelado. Mas, morrer de causas naturais com uma vida toda pela frente... não tem nada de natural!

33 anos?! Ô, sai pra lá, urubu!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Políticos, Policiais e Professores


Pedro Simon: Bobeou, dançou!

Recall
- você sabe o que é isso, né? O termo inglês significa, literalmente, "chamar de volta". Hoje, vira e mexe, a gente escuta falar nele, mas, até há alguns anos atrás, "recall" não era coisa lá muito comum por estas bandas. Tudo começou quando, um belo dia, a General Motors anunciou a troca de uma peça de fixação do cinto de segurança de mais de um milhão de veículos Corsa e Tigra. Alguns dias depois, foi a vez da Fiat convocar os proprietários da linha Palio, pelos mesmos motivos.

Trocando em miúdos: A merda está feita. Pra não ficar pior ainda, tentam consertar a merda.

O recall é um direito do consumidor brasileiro, garantido pelo CDC - Código de Defesa do Consumidor. Não é exclusividade das montadoras de automóveis. Há recall de tudo que é tipo. Brinquedos, computadores, roupas e - pasmem - até camisinha! E no que depender do Senador Pedro Simon (PMDB - RS), agora, até mesmo de políticos.

Sim, meus queridos... Recall de políticos! Segundo o nobre senador, o mecanismo atingiria do prefeito ao presidente da República, assim como detentores de cargos no Legislativo, bastando para isso, as assinaturas de 5% do eleitorado.

Discussões políticas à parte, vale lembrar que, como todo recall, o intuito é tentar consertar a merda que já está feita. Por isso, meus caros, atenção. A merda aqui, quem faz é você. Quando a cabeça não pensa, o corpo padece...

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Saiu no jornal: a Polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata e a que mais morre. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança do RJ, o número de pessoas mortas em confrontos com a polícia aumentou 150% no período de um ano. Enquanto em agosto do ano passado, 30 autos de resistência foram registrados, em agosto deste ano, o número subiu para 75 - uma média de 2,41 mortes por dia! Comparando com São Paulo, a polícia do Rio mata mais na hora de combater o crime. Em terras paulistas, foram registrados 269 autos de resistência, nos seis primeiros meses de 2009. No Rio, 561 (ou três mortes por dia). Pequeno detalhe: São Paulo é quase cinco vezes maior e tem 158% a mais de habitantes!


Clique e veja o mico mais de perto...

É matar ou morrer (?!).

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15 de Outubro: Dia do Mestre. Me faltam ânimo e coragem pra tecer considerações mais consistentes a respeito. Se quiser ler algo inteligente sobre, dá um pulo lá no Grooeland. Por hora, fica o registro da importância dessa classe que já viveu dias melhores.

E se você que lê essas mal traçadas linhas for um professor, azar o seu... quero dizer, boa sorte... digo, parabéns! Hehehehe...

E pra terminar, Rock and Roll da melhor qualidade: Another Brick In The Wall.



"Hey, teacher, leave these kids alone!"

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mermão


A cabeça parecia que ia estourar. Também, isso que dava encher a cara com uísque barato! Jurou pra si mesmo que da próxima vez que quisesse afogar as mágoas, que fosse com um autêntico doze anos!

Ueniston, definitivamente, não estava na sua melhor fase. Seu time estava a um passo da degola, e ele, que no início do campeonato era o salvador da pátria, agora era apontado como um dos responsáveis pela zica que atravessavam. O grande goleador de ontem havia se transformado no jogador pesado e sem ritmo de hoje. Nos bastidores, falava-se até em rescisão de contrato.

A dor de cabeça parecia só piorar. Passou a mão pelos cabelos, olhou o relógio, depois perguntou a Edinho, colega de time e companheiro de noitada, se tinha uma aspirina ou algo parecido.

- Aspirina?! - Edinho falou, soltando uma gargalhada - Porra, olha pra mim, cara! Vê se eu sou homem de tomar aspirina...

- A cabeça parece que vai explodir... - Ueniston murmurou, cara fechada.

- Eu sei do remédio que tu precisa. Cama! Ó, vou puxando o bonde. Tu vem também?

Ueniston levantou o copo.

- Vou tomar mais uma.

Edinho meneou a cabeça, deu uns tapinhas nas costas do amigo e depois saiu.

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Não queria voltar pra casa. Tudo menos isso. Queria companhia. E estava disposto a arrumar uma.

Tomou o rumo da Praça do Lido. Muitas garotas fazendo ponto. Parou o carro perto de duas, que conversavam animadas, encostadas no poste. Deu uma buzinada. Era uma lourinha oxigenada e uma morena peituda.

A lourinha perguntou se era com elas, ele fez que sim. As duas se falaram rapidamente; parecia que tinham o reconhecido. Olhou então para os lados, soltou um "merda" e pôs os óculos escuros, mesmo estando de noite.

A loura se aproximou.

- Oi...

- Oi, princesa! E aí, tá a fim?

Ela soltou um riso sacana, passou a mão pela cabeleira platinada, depois respondeu:

- Não sei...

- Mas como não sabe? Tá fazendo doce, gatinha?

- Não se trata de doce! É que eu já tenho compromisso. Cliente antigo, entende?

- E você vai fazer isso comigo? - Ueniston perguntou, num misto de cafajeste com garoto carente.

- Bem, eu tenho uma amiga ali que tá doidinha pra ir com você...

- A moreninha?

A mocinha fez que sim. Ueniston soltou um "já é". Ela então fez sinal para que a colega se aproximasse.

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Apartamento de luxo num dos hotéis mais caros de Copa. A moreninha estava deslumbrada. Nunca tinha pisado numa suíte daquelas.

Ueniston foi direto ao bar. Preparou uma dose e perguntou se a moça o acompanhava. Ela fez que sim. Ele então lhe estendeu um copo e aproximou-se. Quis saber-lhe o nome.

- Daiane - a menina respondeu, tomando um gole - Daiane Venturinni.

Foi preciso prender a risada.

- Daiane Venturinni?! Que isso? Nome de artista?!

- Eu sou artista, bobinho... Dançarina!

- Dançarina, é? - ele perguntou, chegando cada vez mais perto.

- Isso - ela falou, arzinho safado.

Ele então tirou-lhe o copo da mão e os dois começaram a se agarrar ali mesmo. O clima foi ficando cada vez mais quente e, como num passe de mágica, a nuvem negra sobre a cabeça de Ueniston desapareceu. Daí, pro quarto, foi um pulo. No meio do caminho foi ficando o paletó, a calça, o vestido dela...

- Gostosa!

Foi quando aconteceu -mão aqui, mão ali - a grande revelação da noite.

- Porra, que merda é essa, mermão?

Pois é. Mermão. Daiane Venturinni era um traveco!

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