sábado, 7 de novembro de 2009

Daiane - A "Mulher" Inesquecível


O post abaixo nada mais é que continuação do "Mermão", pubicado algum tempo atrás. Para melhor entendê-lo, recomendo que antes, dê uma passada na já citada postagem. Mas, se quiser começar daqui, sem problema!

Daiane não teve como segurar o riso. Ueniston parecia um menino assustado. Deu um pulo pra trás e afastou-se dela o quanto pôde. Nunca, em toda sua vida, pensou que pudesse pôr medo num "homão" como aquele. Se sentia o próprio bicho-papão. E olha que "papar" não era exatamente lá, a sua preferência.

- Nossa, mas pra quê tudo isso?! - ela quis saber, tentando se aproximar.

Ueniston deu outro pinote.

- Sai de perto, porra! Sai de perto porque tenho alergia a macho!

- E cadê o macho aqui?! - a "moça" perguntou, olhando em volta - Tirando você, evidente...

- Tá pensando que eu sou otário, é? Pois vai catar outro, minha filha, porque o otário aqui não curte traveco não!

- Credo! Tá estressadinho mesmo, hein? - e tentou nova aproximação.

Ueniston encrespou:

- Ó, só, tô falando sério! Dá mais um passo e eu te encho de porrada!

Daiane também rodou a baiana:

- Ih, subiu nas tamancas, foi?! Desce do palco, paquita! Quem ouve assim, até acredita! Até parece que tu não tava gostando da nossa brincadeira...

- Eu não tô dizendo?! - Ueniston gritou, o braço já preparado pra descer a ripa - Tu é pior do que eu imaginava... Tu é profissional! Se aproveitou de mim, isso sim!

- Ah, essa é boa! Tadinho dele, meu Deus! Um garotinho indefeso!

Ueniston perdeu o controle. Derrubou um abajur, chutou-o contra a parede. Depois, começou a esmurrar a parede e começou a chorar, feito bezerro desmamado:

- Merda, merda, mil vezes merda! É isso que a minha vida é! Uma grande duma merda!

Daiane ficou com pena. Nem um minuto fazia, lá estava ele, pronto a lhe dar um cacete. Agora, sentado no chão da suíte, chorava um choro sentido. Descontrolado. Um choro que parecia preso há muito tempo.

Ela se aproximou, sem jeito. Tentou tocá-lo, mas desistiu. Ueniston não parava. Tinha de fazer alguma coisa.

- Calma... - ela falou, tentando pensar em algo - Olha só, que tal uma dose? Vai te fazer bem...

Ueniston fez apenas que sim. Ela correu até o bar, preparou um cáuboi e depois voltou, lhe estendo o copo. Ueniston aceitou. Pegou o copo, olhou pra dentro do rosto dela -ou dele. Levantou o copo, como se fizesse um brinde, e depois sorriu. Mais amarelo, impossível.




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- É o que eu tô dizendo... A vida é mesmo uma novela! Um dia a gente tá por cima, mas no outro, meu bem, a gente pode estar por baixo! Mas quer saber? Pra mim, essa é a graça do negócio! - Daiane soltava a sua filosofia de revista de dois reais, enquanto aplicava seus conhecimentos de massoterapia, adquiridos num cursinho do SENAC, que fizera, quando tinha dezoito anos.

Ueniston não dizia nada. De olhos fechados, apenas escutava e procurava relaxar. É, a vida parecia mesmo uma novela. Ou um filme de terror. Vide ele lá, à uma hora daquelas, recebendo massagem de um traveco!

Foi quando aconteceu. Batidas na porta. Os dois arregalaram os olhos.

- Quem é? - Daiane perguntou, espantada.

- Polícia! - uma voz grossa respondeu, do outro lado - Abra essa porta agora!

Ueniston deu um salto e se afastou o quanto pôde de Daiana. Sem escolha, ela foi até a porta e abriu.

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- É, mano velho, essa você vai ter que me agradecer pelo resto da vida! - Edinho falou, tirando sarro da cara do amigo.

- Verdade. Tô te devendo mesmo. Nem sei como retribuir - Ueniston respondeu, voz amuada.

- Que isso... Uma caixa de cerva e tudo fica certo! Melhor! Um doze anos e não se fala mais no assunto!

Ueniston deu uma risada e depois quis saber:

- Como você descobriu tudo?

- Eu fiquei preocupado contigo e resolvi ir atrás de você. Vi quando parou no Lido e falou com as meninas. Ia seguir dali, mas cheirei algo estranho no ar. Dava pra ver que aquilo ali era traveco, e traveco dos brabos, meu velho! Desconfiei na hora que tavam armando pra cima de você...

- Como eu fui cair nessa, meu Deus?! Nem gogó ela tinha...

- É, mas pelo visto, o resto tava todo lá, né?

Ueniston soltou um "vai à merda", levantou-se e foi até à janela do apartamento. Lá fora, o mar da Barra batia devagar. Não demorava muito e o dia começava a nascer.

E Daiane? O que seria dela agora?

Pra "putaquetepariu", a Daiane! Cerrou a cortina, foi até o bar, pegou uma garrafa, um copo e jogou-se no sofá. Ia começar de onde parou. Ia beber até cair. Ou melhor: beber até esquecer.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Em Boca Fechada...


Maitê Proença: "Português é tão esquisito..."

"Em boca fechada não entra mosca."

Há um tempo atrás, o grande Jaime Guimarães escreveu no seu não menos grande blog Grooeland, um post que falava sobre a mania do politicamente correto. Tratava-se da resposta a um e-mail de um amigo que, indignado com a propaganda negativa que o filme Os Normais 2 fazia do povo baiano, sugeria um boicote em massa à fita. Jaimão, oportuno como sempre, não perdeu a chance pra soltar o verbo. O que fez muito bem, pra variar. Ficou curioso? Confira aqui.

Não sou a pessoa mais indicada pra falar do que é certo ou errado nesse sentido. Sou conhecido por ter um humor que, não muito raro, é pouco compreendido. O problema é que brinco até quando a coisa tá "preta". Digo, "suja". Quer dizer, "feia"". Xi... melhor deixar pra lá!

Mas não estou aqui pra falar de mim, mas sim de dois episódios que aconteceram na última semana e que me deixaram cá com uma pulguinha atrás da orelha, pensando no velho adágio popular que abre esta postagem.

Tudo começou quando a Maitê Proença (a Dona Beja, lembra?) resolveu tirar um sarro com a cara dos portugueses, durante um vídeo feito numa viagem à terrinha, exibido no programa Saia Justa em 2007. Seguem abaixo algumas pérolas da atriz:



"Tive problemas com a internet do hotel e pedi um técnico para arrumar. Mandaram um técnico que não sabia nada de informática. Ele olhava pro meu mouse como se fosse uma capivara."

"Depois a gente fala de português, que eles são esquisitos. Mas é assim mesmo."

No final do vídeo, pra completar, dona Maitê cospe. Numa fonte!

Segundo ela, tudo não passou de uma brincadeira: "Brasileiro é muito brincalhão", argumentou. "A gente brinca com aquilo pelo qual a gente tem afeto."

Evidente que os portugas não gostaram da brincadeira carinhosa. E exigiram que a atriz se retratasse publicamente. O quiprocó chegou a tal ponto que até Hitler entrou na roda!



O segundo fato foi uma reportagem publicada no Daily Mail acerca da morte de um dos vocalistas do grupo Boyzone, Stephen Gately. Pra quem não ligou o nome à pessoa, o rapaz foi o primeiro membro de uma Boy Band a sair do armário, depois de ver sua história ameaçada de vir à público através de um ex-segurança da banda. "Sou gay e estou apaixonado", ele revelou ao The Sun, exatos dez anos atrás.



Stephen Gately: "No matter what they call us..."

Pois bem... Jan Moir, colunista do Daily Mail, escreve então um artigo que afirma que Gately não morreu de causas naturais mas sim de... ser gay!

Armou-se então o circo. O ator britânico Stephen Fry e o ilusionista Derren Brown "tuitaram" pedindo aos seus seguidores que reclamassem da reportagem. Uma página no Facebook foi criada para pedir que internautas exigissem a retirada de anúncios de marcas famosas do site. Marks&Spencer foi a primeira, seguida pela Nestlé e logo depois pela Procter&Gamble.

Ferreira Fernandes, colunista do jornal português Diário de Notícias, escreveu sobre o ocorrido, citando uma antiga reportagem que relatava a morte de Joaquim Agostinho, ciclista lusitano, sob o título de "Morreu de ser Português". Pra quem não conhece a história, o cara caiu durante uma prova e bateu com a cabeça que estava sem capacete. Em vez de o levarem para um hospital, o levaram para uma pensão, para descansar. Enfim: "Morreu de ser Português"... Vale a pena conferir!

Bom, por hoje chega. Sei que errei na mão, mas tudo isso me serviu para tirar algumas conclusões:

1º) Em Portugal, o pessoal parece levar muito a sério o que a Maitê Proença fala;

2º) Em tempos de Twitter e Facebook é bom se tomar muito cuidado com o que se fala ou se escreve por aí;

3º) Há uma linha muito tênue entre brincadeira e ofensa.

Em todo caso, fica o velho conselho de minha sábia mãezinha, que começou e também termina este post: "Em boca fechada..."


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Sei que ninguém merece ler mais nada por aqui, mas o quê foi aquilo que aconteceu com o coordenador do Afroreggae, morto durante assalto no Rio e "depenado" por policiais militares?!

Assim fica difícil saber quem é mocinho e quem é bandido...


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E pra quem vem achando minhas postagens muito pesadas, fica frio: em breve, novo capítulo das desventuras de Ueniston e Daiana. E isso não é um aviso. É uma ameaça!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Comandos Em Ação


Terror. Foi um dia assim que o Rio viveu durante o último sábado. Cenas dignas de um filme de guerra, com direito a helicóptero da polícia sendo abatido no ar, oito ônibus incendiados na Zona Norte da cidade e uma população desesperada e revoltada. Isso tudo apenas duas semanas depois da cidade ser escolhida como sede das Olimpíadas de 2016.

O dia de cão começou com uma imensa troca de tiros, durante a madrugada, no Morro dos Macacos. O helicóptero Fênix, modelo Esquilo AS 350 B2, do Grupamento Aéreo Marítimo da Polícia Militar, levantou voo com a missão de socorrer policiais feridos durante o confronto. Não cumpriu sua missão. Atacado por traficantes, foi forçado a pousar na Vila Olímpica do Sampaio. Seria essa uma nova modalidade olímpica? Abatimento de aeronaves?!

No dia seguinte, minha amiga Maria me ligou, transtornada com a história, dizendo não acreditar ainda no que via na TV. Helicóptero sendo derrubado por bandido?! Parecia coisa dos "Comandos Em Ação"!

Pois é, Maria. "Comandos em Ação" da vida real. Com direito a Comandante Cobra e G.I. Joe...

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Quando é pra criticar, a gente critica. Quando é pra aplaudir, a gente aplaude. Portanto, a nossa homenagem ao capitão Marcelo Vaz de Souza e a toda a sua equipe que, num ato heróico, evitou que a aeronave atingisse casas do Morro dos Macacos. E a todos aqueles que tiveram suas vidas ceifadas durante esse episódio, também nosso reconhecimento e respeito.

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Ainda conversando com minha amiga Maria, no sábado, surgiu a pergunta: "Uma pessoa pode morrer duas vezes?"

Também na sexta-feira, um incêndio destruiu parte do acervo do artista plástico Hélio Oiticica, no Jardim Botânico. As obras estavam no ateliê localizado na casa de César Oiticica, irmão do falecido artista. Ninguém ficou ferido e as causas do incêndio ainda serão apuradas.

- Foi a maior tragédia que poderia acontecer para a cultura brasileira - declarou César, que descartou a hipótese de incêndio criminoso, já que no local havia um rigoroso controle de temperatura e umidade, além de alarmes de presença e anti-incêndio.

Pois, é, Maria [2]. Respondendo a sua pergunta, pode sim. Hélio Oiticica morreu duas vezes.

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Sassaricando pela net, dei de cara com a notícia de que Stephen Gately, do grupo irlandês Boyzone, falecido no último dia 10, morreu de causas naturais. Segundo a autópsia, o falecimento se deu por conta de um edema pulmonar, acúmulo de fluídos no pulmão.

Boy band nunca foi minha praia, mas lembro do grupo por conta de Father and Son, do Cat Stevens, uma de minhas músicas prediletas, que eles regravaram há um bom tempo atrás.

Pra falar a verdade, o que mais me encucou nessa história, é um sujeito de apenas 33 anos morrer de causas naturais. Ô, jeitinho estúpido de morrer! Tá bom... estúpido é morrer de bala perdida, overdose ou atropelado. Mas, morrer de causas naturais com uma vida toda pela frente... não tem nada de natural!

33 anos?! Ô, sai pra lá, urubu!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Políticos, Policiais e Professores


Pedro Simon: Bobeou, dançou!

Recall
- você sabe o que é isso, né? O termo inglês significa, literalmente, "chamar de volta". Hoje, vira e mexe, a gente escuta falar nele, mas, até há alguns anos atrás, "recall" não era coisa lá muito comum por estas bandas. Tudo começou quando, um belo dia, a General Motors anunciou a troca de uma peça de fixação do cinto de segurança de mais de um milhão de veículos Corsa e Tigra. Alguns dias depois, foi a vez da Fiat convocar os proprietários da linha Palio, pelos mesmos motivos.

Trocando em miúdos: A merda está feita. Pra não ficar pior ainda, tentam consertar a merda.

O recall é um direito do consumidor brasileiro, garantido pelo CDC - Código de Defesa do Consumidor. Não é exclusividade das montadoras de automóveis. Há recall de tudo que é tipo. Brinquedos, computadores, roupas e - pasmem - até camisinha! E no que depender do Senador Pedro Simon (PMDB - RS), agora, até mesmo de políticos.

Sim, meus queridos... Recall de políticos! Segundo o nobre senador, o mecanismo atingiria do prefeito ao presidente da República, assim como detentores de cargos no Legislativo, bastando para isso, as assinaturas de 5% do eleitorado.

Discussões políticas à parte, vale lembrar que, como todo recall, o intuito é tentar consertar a merda que já está feita. Por isso, meus caros, atenção. A merda aqui, quem faz é você. Quando a cabeça não pensa, o corpo padece...

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Saiu no jornal: a Polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata e a que mais morre. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança do RJ, o número de pessoas mortas em confrontos com a polícia aumentou 150% no período de um ano. Enquanto em agosto do ano passado, 30 autos de resistência foram registrados, em agosto deste ano, o número subiu para 75 - uma média de 2,41 mortes por dia! Comparando com São Paulo, a polícia do Rio mata mais na hora de combater o crime. Em terras paulistas, foram registrados 269 autos de resistência, nos seis primeiros meses de 2009. No Rio, 561 (ou três mortes por dia). Pequeno detalhe: São Paulo é quase cinco vezes maior e tem 158% a mais de habitantes!


Clique e veja o mico mais de perto...

É matar ou morrer (?!).

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15 de Outubro: Dia do Mestre. Me faltam ânimo e coragem pra tecer considerações mais consistentes a respeito. Se quiser ler algo inteligente sobre, dá um pulo lá no Grooeland. Por hora, fica o registro da importância dessa classe que já viveu dias melhores.

E se você que lê essas mal traçadas linhas for um professor, azar o seu... quero dizer, boa sorte... digo, parabéns! Hehehehe...

E pra terminar, Rock and Roll da melhor qualidade: Another Brick In The Wall.



"Hey, teacher, leave these kids alone!"

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mermão


A cabeça parecia que ia estourar. Também, isso que dava encher a cara com uísque barato! Jurou pra si mesmo que da próxima vez que quisesse afogar as mágoas, que fosse com um autêntico doze anos!

Ueniston, definitivamente, não estava na sua melhor fase. Seu time estava a um passo da degola, e ele, que no início do campeonato era o salvador da pátria, agora era apontado como um dos responsáveis pela zica que atravessavam. O grande goleador de ontem havia se transformado no jogador pesado e sem ritmo de hoje. Nos bastidores, falava-se até em rescisão de contrato.

A dor de cabeça parecia só piorar. Passou a mão pelos cabelos, olhou o relógio, depois perguntou a Edinho, colega de time e companheiro de noitada, se tinha uma aspirina ou algo parecido.

- Aspirina?! - Edinho falou, soltando uma gargalhada - Porra, olha pra mim, cara! Vê se eu sou homem de tomar aspirina...

- A cabeça parece que vai explodir... - Ueniston murmurou, cara fechada.

- Eu sei do remédio que tu precisa. Cama! Ó, vou puxando o bonde. Tu vem também?

Ueniston levantou o copo.

- Vou tomar mais uma.

Edinho meneou a cabeça, deu uns tapinhas nas costas do amigo e depois saiu.

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Não queria voltar pra casa. Tudo menos isso. Queria companhia. E estava disposto a arrumar uma.

Tomou o rumo da Praça do Lido. Muitas garotas fazendo ponto. Parou o carro perto de duas, que conversavam animadas, encostadas no poste. Deu uma buzinada. Era uma lourinha oxigenada e uma morena peituda.

A lourinha perguntou se era com elas, ele fez que sim. As duas se falaram rapidamente; parecia que tinham o reconhecido. Olhou então para os lados, soltou um "merda" e pôs os óculos escuros, mesmo estando de noite.

A loura se aproximou.

- Oi...

- Oi, princesa! E aí, tá a fim?

Ela soltou um riso sacana, passou a mão pela cabeleira platinada, depois respondeu:

- Não sei...

- Mas como não sabe? Tá fazendo doce, gatinha?

- Não se trata de doce! É que eu já tenho compromisso. Cliente antigo, entende?

- E você vai fazer isso comigo? - Ueniston perguntou, num misto de cafajeste com garoto carente.

- Bem, eu tenho uma amiga ali que tá doidinha pra ir com você...

- A moreninha?

A mocinha fez que sim. Ueniston soltou um "já é". Ela então fez sinal para que a colega se aproximasse.

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Apartamento de luxo num dos hotéis mais caros de Copa. A moreninha estava deslumbrada. Nunca tinha pisado numa suíte daquelas.

Ueniston foi direto ao bar. Preparou uma dose e perguntou se a moça o acompanhava. Ela fez que sim. Ele então lhe estendeu um copo e aproximou-se. Quis saber-lhe o nome.

- Daiane - a menina respondeu, tomando um gole - Daiane Venturinni.

Foi preciso prender a risada.

- Daiane Venturinni?! Que isso? Nome de artista?!

- Eu sou artista, bobinho... Dançarina!

- Dançarina, é? - ele perguntou, chegando cada vez mais perto.

- Isso - ela falou, arzinho safado.

Ele então tirou-lhe o copo da mão e os dois começaram a se agarrar ali mesmo. O clima foi ficando cada vez mais quente e, como num passe de mágica, a nuvem negra sobre a cabeça de Ueniston desapareceu. Daí, pro quarto, foi um pulo. No meio do caminho foi ficando o paletó, a calça, o vestido dela...

- Gostosa!

Foi quando aconteceu -mão aqui, mão ali - a grande revelação da noite.

- Porra, que merda é essa, mermão?

Pois é. Mermão. Daiane Venturinni era um traveco!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Boas Fodas!


"Que horas serão?" - perguntei pra mim mesmo, pra verificar logo em seguida e constatar que não faziam nem três minutos que tinha espiado o relógio pela última vez.

- Esperando alguém? - a senhorinha simpática, de cabelo roxo, perguntou, notando minha aflição.

Dei um sorriso amarelo e me esforcei pra não mandar a pobre catar coquinho.

- É. Tô sim - respondi, entredentes.

- Namorada?

- Não. Uma amiga.

- Sei - a velhinha continuou, piscando o olho e me dando um tapinha nas costas - Me engana que eu gosto... Bonitão desse jeito! Vai dizer que não tem namorada?!

Fiz uma força sobre-humana pra não responder que "não tenho namorada, porra! Por quê? Tá interessada?", mas respirei fundo e tentei não acabar com o dia da velhota.

Foi quando aconteceu. Ela apareceu. Não a amiga que eu esperava, mas uma loura peituda, com um sorriso safado, que me estendeu o prospecto que ilustra esta postagem. A louruda deu uma piscada, soltou um "te espero lá, hein?", e saiu, toda rebolativa.

Pois é, amigos. Era a propaganda de um clube. "Maqualé o problema, mané?", alguém deve estar se perguntando a essa altura do campeonato. Nenhum. Se não fosse um clube de Swing.

Eu não sou um cara antiquado, posso garantir. Muito pelo contrário. Em se tratando de sexo, inclusive, faço coro com um certo baiano que disse que "de perto ninguém e normal". Mas vamos combinar? São duas horas da tarde e tu tá na porta de um shopping, mermão; velhinha do lado te interrogando sobre sua vida sentimental, um vai-e-vem danado de gente entrando e saindo... e mocinha entregando propaganda de clube de suruba?!

Como diria minha santa vozinha, "esse mundo tá perdido"...

Em todo caso, guardei o papel (como deu pra perceber). Nunca se sabe o dia de amanhã, né? E se alguém aí estiver interessado, é só dar um alô que eu envio o endereço.

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Deu no IG: a Lucy morreu. Que Lucy?! Aquela, do céu com diamantes! Lucy Vodden, a dona que inspirou John Lennon a compor "Lucy In the Sky With Diamonds", faleceu, aos 46 anos, de lúpus, em Londres, conforme noticiou o hospital St. Thomas.

Segundo reza a lenda, tudo começou quando Julian Lennon chegou da escola, com um desenho. Papai quis saber do que se tratava e o moleque explicou: "É a Lucy no céu com diamantes!"

Gênio toda vida, John não titubeou e compôs a famosa canção que, anos a fio, foi associada ao uso do LSD.

Pobre Lucy. Agora está no céu. Com ou sem diamantes (hummmm... essa foi podre, pode falar!).

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Reiterando: nada contra aos adeptos do swing. Quem curte, vai fundo. E se alguém for da área, é só pedir que mando o endereço, como já falei.

E pra terminar, um beijo, um abraço e boas fodas a todos!


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um Pouquinho de Filosofia Para Ser Feliz


Nota do Autor - A postagem abaixo não é original. Foi publicada, faz algum tempo, num outro blog meu. O post de hoje seria outro, mas, graças à uma conversa tida ontem com uma grande amiga, resolvi "reeditá-lo". Peço aos amigos que sejam pacientes, já que ele é um pouco longo. E que não levem muito a sério as "reflexões" que faço. É só minha cabeça viajando (como quase sempre, aliás).


Há vidas que dariam uma verdadeira novela. Novelão mesmo, daquelas no melhor estilo Manoel Carlos. A de Bertrand Russell, por exemplo, é uma dessas. Primeiro: o homem viveu pra cacete! Matusalém perde. Nasceu na Inglaterra Vitoriana e morreu depois que o homem já havia pisado na lua. Segundo: Russell era o cara! Literalmente. Não contente em ser apenas o conde de Russell, o sujeito enveredou pela Matemática, Filosofia, Política e ainda abocanhou um prêmio Nobel em 1950. Mas não é sua extensa e movimentada biografia que me fez digitar essas mal traçadas linhas. Na realidade, Bertrand Russell me veio à cabeça, depois de desligar o telefone ontem à noite. Lá estava eu, com um grande amigo, fazendo meu ouvido de CVV, discorrendo sobre sua vidinha monótona e repetindo a cada dez minutos o quanto andava infeliz e deprimido. Eu me esforçava pra entender, mas não conseguia. Fico sinceramente chocado quando alguém admite ser infeliz. Jesus Crucificado de Porto das Caixas, ter uma caminha quente, um pratinho de comida no almoço e uma casinha pra se voltar no fim do dia não é suficiente?! Parece que não, porque pra fechar a cantilena, ele ainda me saiu com essa: "Eu me sinto triste até quando estou feliz!"

A verdade é que meu amigo não é o único. Prova disso são as prateleiras das livrarias do planeta inteiro abarrotadas de títulos e mais títulos ensinando "aonde encontrar a tal da Dona Felicidade". Eis aí, caríssimos, mais um mérito de Russell. Muito antes de tudo isso, o homem já tinha escrito um livro chamado "A Conquista da Felicidade". Logo de cara, ele avisa que não pretende tecer considerações eruditas sobre o tema, e é verdade. Era a Filosofia descendo a cátedra e encontrando a massa.

O primeiro ponto abordado por Russell diz respeito ao prazer. Para ele, felicidade e prazer caminham lado a lado. E o prazer provém da superação de um obstáculo. Maria queria ser médica, mas antes disso deveria passar pela peneira do vestibular, depois encarar seis ou sete anos na Universidade, mais noites mal dormidas, pouco tempo para si e para os amigos, etc., etc. No problem. Na grande noite em que Maria recebesse o canudo e colasse grau, tudo isso não faria diferença. Ou faria. Apesar de todos os obstáculos e contratempos, Maria chegou lá. E tudo isso contribuiria para dar à sua conquista um saborzinho especial. Vim, vi e venci. É verdade que o buraco é muito mais embaixo e que a história pode seguir por outros caminhos. Tem gente que tem uma estrela filha da mãe! Tipo o Carlos, um velho conhecido do tempo do colégio. O carinha pintava horrores! Jamais havia feito qualquer tipo de curso. Dizia que não era nada demais, que havia gente bem melhor que ele. Onde pobre podia pensar em ser artista? Pobre tinha era que ganhar o pão do dia-a-dia! Acontece que, por um desses acasos do destino, um dos trabalhos de Carlos caiu nas mãos de um professor da Escola de Belas Artes. Pronto. Foi o começo de uma longa história. Carlos hoje é famoso e uma tela sua custa uma pequena fortuna. Ainda não acredita que a vida lhe tenha sido tão generosa. Logo ele, que jamais teve grandes ambições. Aqui, não é o prazer que causa a felicidade, mas sim a surpresa. O contrário também poderia acontecer, evidente: Carlos podia se achar o bam-bam-bam, ter feito todos os cursos de artes possíveis e imagináveis e mesmo assim, simplesmente não acontecer. E ao invés de feliz, Carlos seria um decepcionado.

Quando Russell punha no papel todo esse blá-blá-blá, um tal de Existencialismo era a vedete da vez, com um papo de que a vida é repleta de absurdos, que você tem o livre-arbítrio para decidir o que deve ou não ser feito, mas que, freqüentemente, qualquer que seja sua escolha, ela é uma escolha ruim. Russell odiava esse lero-lero. Para ele, as pessoas desejam ser amadas e não toleradas. Acontece que pedir amor é pedir muito mais do que a vida possa dar. É onde surge a melancolia e, definitivamente, amigos, ela não é boa. O único caminho de se ver livre dela é tendo gosto em viver. Felicidade é exatamente gosto pela vida. E gosto de viver é se interessar pelo que a vida nos oferece. Resumindo: por quando mais coisas eu me interessar, maiores serão minhas oportunidades de felicidade. Quando meus interesses são muito restritos – azar o meu – maiores serão minhas chances de decepção. O caminho da felicidade é ter gosto em viver e se surpreender com o mundo. Robério já tinha tudo programadinho em sua cabeça. Aos 25 se formaria em Direito, aos trinta no máximo já teria ingressado na Magistratura, casado com Carla morando num confortável apartamento em Ipanema. Já estava com quase 35 e necas. Tentava, tentava, tentava, mas nada de ser juiz. Ipanema então! Continuava no Andaraí...

Continuar batendo na mesma tecla pode ser duas coisas: ou fuga ou esquecimento de outros aspectos da vida. A fuga, por sua vez, pode escambar para o exagero e o exagero se traduz de duas formas: ou uma atividade intelectual intensa ou ela - olha a melancolia novamente aí, gente! O remédio: a boa e velha moderação. É preciso ter pé no chão e saber a hora de encarar a vida real.

Para que se tenha novamente gosto em viver é essencial que o homem se sinta amado – e que ame! Amor sem interesse, sem vantagem, amor que não almeje segurança ou proteção. Amor desinteressado. Essa é a receita. Definitivamente, essa não foi uma conclusão exclusiva de Russell. Desde a Antigüidade, a amizade é considerada como a própria expressão da felicidade. O velho Aristóteles repetiu isso até a exaustão. E estava certo.

A verdade é que, surpreendentemente, a felicidade pode estar mais perto do que imaginamos. É a velha história do pássaro azul. A gente roda, bate cabeça, funde a cuca e ele estava ali, todo o tempo, ao nosso lado. Pode até parecer papinho de Pollyana, mas somos nós quem complicamos a vida. Bom humor e leveza de atitude são fundamentais! E é lógico que é possível ser feliz sim! Ser feliz ganhando não tão bem assim, ser feliz não tendo o corpo perfeito, ser feliz tendo dívidas para pagar, ser feliz com ou sem namorada, ser feliz morando em Ipanema ou no Andaraí, ser feliz andando de ônibus... ser feliz apesar dos pesares! Essa receita não deve ser encarada como uma atitude de fuga ou algo que nos leva a abrir mão dos nossos sonhos. É importante ter metas na vida! E realizá-las nos torna felizes. Porém, mais importante ainda, é saber que existem outras possibilidades de felicidade...

Gostaria que meu amigo lesse essas palavras, mas creio não ter moral suficiente para isso, afinal quem sou eu, né? Além do que, conselho se fosse bom não se dava, mas vendia. Mas quem sabe, Natal chegando, não posso investir meus parcos reais num presente mais caprichado? E que o próprio Russell fale por mim...
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