
O post abaixo nada mais é que continuação do "Mermão", pubicado algum tempo atrás. Para melhor entendê-lo, recomendo que antes, dê uma passada na já citada postagem. Mas, se quiser começar daqui, sem problema!
Daiane não teve como segurar o riso. Ueniston parecia um menino assustado. Deu um pulo pra trás e afastou-se dela o quanto pôde. Nunca, em toda sua vida, pensou que pudesse pôr medo num "homão" como aquele. Se sentia o próprio bicho-papão. E olha que "papar" não era exatamente lá, a sua preferência.
- Nossa, mas pra quê tudo isso?! - ela quis saber, tentando se aproximar.
Ueniston deu outro pinote.
- Sai de perto, porra! Sai de perto porque tenho alergia a macho!
- E cadê o macho aqui?! - a "moça" perguntou, olhando em volta - Tirando você, evidente...
- Tá pensando que eu sou otário, é? Pois vai catar outro, minha filha, porque o otário aqui não curte traveco não!
- Credo! Tá estressadinho mesmo, hein? - e tentou nova aproximação.
Ueniston encrespou:
- Ó, só, tô falando sério! Dá mais um passo e eu te encho de porrada!
Daiane também rodou a baiana:
- Ih, subiu nas tamancas, foi?! Desce do palco, paquita! Quem ouve assim, até acredita! Até parece que tu não tava gostando da nossa brincadeira...
- Eu não tô dizendo?! - Ueniston gritou, o braço já preparado pra descer a ripa - Tu é pior do que eu imaginava... Tu é profissional! Se aproveitou de mim, isso sim!
- Ah, essa é boa! Tadinho dele, meu Deus! Um garotinho indefeso!
Ueniston perdeu o controle. Derrubou um abajur, chutou-o contra a parede. Depois, começou a esmurrar a parede e começou a chorar, feito bezerro desmamado:
- Merda, merda, mil vezes merda! É isso que a minha vida é! Uma grande duma merda!
- Merda, merda, mil vezes merda! É isso que a minha vida é! Uma grande duma merda!
Daiane ficou com pena. Nem um minuto fazia, lá estava ele, pronto a lhe dar um cacete. Agora, sentado no chão da suíte, chorava um choro sentido. Descontrolado. Um choro que parecia preso há muito tempo.
Ela se aproximou, sem jeito. Tentou tocá-lo, mas desistiu. Ueniston não parava. Tinha de fazer alguma coisa.
- Calma... - ela falou, tentando pensar em algo - Olha só, que tal uma dose? Vai te fazer bem...
Ueniston fez apenas que sim. Ela correu até o bar, preparou um cáuboi e depois voltou, lhe estendo o copo. Ueniston aceitou. Pegou o copo, olhou pra dentro do rosto dela -ou dele. Levantou o copo, como se fizesse um brinde, e depois sorriu. Mais amarelo, impossível.
Ueniston fez apenas que sim. Ela correu até o bar, preparou um cáuboi e depois voltou, lhe estendo o copo. Ueniston aceitou. Pegou o copo, olhou pra dentro do rosto dela -ou dele. Levantou o copo, como se fizesse um brinde, e depois sorriu. Mais amarelo, impossível.
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- É o que eu tô dizendo... A vida é mesmo uma novela! Um dia a gente tá por cima, mas no outro, meu bem, a gente pode estar por baixo! Mas quer saber? Pra mim, essa é a graça do negócio! - Daiane soltava a sua filosofia de revista de dois reais, enquanto aplicava seus conhecimentos de massoterapia, adquiridos num cursinho do SENAC, que fizera, quando tinha dezoito anos.
Ueniston não dizia nada. De olhos fechados, apenas escutava e procurava relaxar. É, a vida parecia mesmo uma novela. Ou um filme de terror. Vide ele lá, à uma hora daquelas, recebendo massagem de um traveco!
Foi quando aconteceu. Batidas na porta. Os dois arregalaram os olhos.
- Quem é? - Daiane perguntou, espantada.
- Polícia! - uma voz grossa respondeu, do outro lado - Abra essa porta agora!
Ueniston deu um salto e se afastou o quanto pôde de Daiana. Sem escolha, ela foi até a porta e abriu.
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- É, mano velho, essa você vai ter que me agradecer pelo resto da vida! - Edinho falou, tirando sarro da cara do amigo.
- Verdade. Tô te devendo mesmo. Nem sei como retribuir - Ueniston respondeu, voz amuada.
- Que isso... Uma caixa de cerva e tudo fica certo! Melhor! Um doze anos e não se fala mais no assunto!
Ueniston deu uma risada e depois quis saber:
- Como você descobriu tudo?
- Eu fiquei preocupado contigo e resolvi ir atrás de você. Vi quando parou no Lido e falou com as meninas. Ia seguir dali, mas cheirei algo estranho no ar. Dava pra ver que aquilo ali era traveco, e traveco dos brabos, meu velho! Desconfiei na hora que tavam armando pra cima de você...
- Como eu fui cair nessa, meu Deus?! Nem gogó ela tinha...
- É, mas pelo visto, o resto tava todo lá, né?
Ueniston soltou um "vai à merda", levantou-se e foi até à janela do apartamento. Lá fora, o mar da Barra batia devagar. Não demorava muito e o dia começava a nascer.
E Daiane? O que seria dela agora?
Pra "putaquetepariu", a Daiane! Cerrou a cortina, foi até o bar, pegou uma garrafa, um copo e jogou-se no sofá. Ia começar de onde parou. Ia beber até cair. Ou melhor: beber até esquecer.










